

Acontece no Teatro da Maçonaria até o dia 29 de agosto o espetáculo teatral Santidade, que aborda a delicada relação entre homossexualidade e religião.
Escrito em 1967 pelo dramaturgo mineiro José Vicente de Paula, o texto foi definido na época como perversivo e censurado pelo então presidente Marechal Costa e Silva. Este chegou a declarar na televisão que a peça “jamais seria encenada no país”.
Quarenta e três anos depois, Ari Nóbrega e Fernando Couto levam ao palco uma história que aborda, sem cerimônia e moralismo, o papel da igreja como estrutura moral e social repleta de injustiças, preconceitos, intolerâncias e hipocrisias. Três irmãos vivem uma relação conflitante, visto que um deles é ex-seminarista e garoto de programa, o outro é um seminarista prestes a se ordenar padre e o terceiro é homossexual assumido.
O autor usa de um texto denso para revelar o sarcasmo do homem sobre o homem e mergulha nas verdades contraditórias das religiões. A igreja, no entanto, dependendo do ponto de vista, acaba sendo apenas um pano de fundo utilizado pelo autor para expurgar sentimentos entulhados de culpa, medos e insatisfações.
O texto de “Santidade” já foi premiado nacionalmente e em 2002, foi dirigido e produzido por Fernando Couto. Recentemente o Grupo Oficina (SP), liderados por José Celso Martinez Corrêa, apresentou o espetáculo em São Paulo, apenas como uma homenagem feita ao autor José Vicente um pouco antes de sua morte.
Santidade - Sexo, Solidão e Culpa nas bordas da Fé
Até 29 de agosto
Teatro da Maçonaria
Avenida Brasil, 478, Funcionários
Informações: (31) 3213-4959