

De 16 de julho a 05 de agosto, a Galeria de Arte da Cemig recebe a exposição Caos (In)Apropriado, do artista mineiro Rodrigo Mogiz.
Na mostra, Mogiz apresenta técnicas de colagem, desenho e pintura, unidas para a comemoração de sua trajetória de 10 anos (em 2000 expunha pela primeira vez na antiga sede do Crav – Centro de Referência Audiovisual). Mas ao contrário do que se imagina, não se trata de uma retrospectiva com coleção de trabalhos antigos. Ao invés disso, ele mostrar algo novo, ainda que relacionado com sua história.
Rodrigo Mogiz nasceu em Belo Horizonte, no ano de 1978. É graduado em Desenho e Pintura pela Escola de Belas-Artes da UFMG, Apresenta relações com o literário, a escrita e a poesia. Seu trabalho, segundo o próprio em seu site pessoal, é explicado assim: “As imagens são apropriações da mídia (revistas, tv, internet, cinema, moda...) de nosso universo contemporâneo, estabelecendo outras relações entre essas figuras, propondo questionamentos em torno da beleza, do corpo, da dor, da sexualidade e relações afetivas. Há ainda a presença de determinados elementos míticos, retirados de ícones religiosos, contos de fadas, histórias em quadrinhos e outras mitologias. Isso faz com que tenhamos um trabalho de temática forte, apontando feridas de uma forma delicada, alfinetando conceitos e preconceitos, e costurando tudo isso com agulha e linha”.
O artista conversou com o Mondo BHZ sobre sua trajetória e a recente mostra. Confira:
Lá se vão 10 anos desde a sua primeira mostra. Conte-nos um pouco dessa sua trajetória.
Sou graduado em pintura e desenho pela escola de belas artes da UFMG. Minha primeira exposição foi em uma exposição conjunta com a artista Valeria Cristina na antiga sede do CRAV - Centro de Referência Audiovisual no bairro da Serra. Isso no ano 2000, quando ainda era aluno da belas artes. Mas foi depois que me formei em 2003 que comecei a participar mais de exposições, inclusive em galerias comerciais. participei duas vezes do projeto arte no banheiro do Comida di Buteco, sendo um dos vencedores da primeira edição em 2006. Também já fui premiado no primeiro salão Usiminas de artes visuais de Cataguases em 2004, e fui selecionado pro Prêmio SESI CNI Marcantonio Vilaça para artes plásticas. Já participei de varias exposições coletivas e individuais, sendo caos inapropriado a minha quarta mostra individual.
Caos (In)Apropriado é uma retrospectiva diferente. Não trata-se de uma coleção de obras, mas sim obras que sintetizam seu caminho até aqui, correto? Qual a intenção por trás dessa escolha?
A exposição chama-se Caos (In)Apropriado. A intenção seria descobrir novos caminhos mesmo para o trabalho, transformando um pouco o processo de trabalho em um resultado "final". Como obra em si e também transformando em um terceiro elemento ou nova possibilidade de leitura e criação.
Aliás, o que define – em termos de conceito e técnica – sua obra?
Meu trabalho sempre foi um monte de referências juntas, e agora eu mostro muitas dessas referências para criar meus desenhos, bordados e pinturas. O conceito por detrás dessa mostra em especifico está calcado na apropriação de imagens, fotos que não são minhas, mas que eu sempre usei como modelos de meus trabalhos. Trata-se um pouco de trazer uma reflexão pra esse acumulo de imagens que consumimos diariamente, no meu caso as imagens das revistas de moda de que me aproprio, questionando a beleza, o consumismo e as relações pessoais. a técnica se mostra numa sobreposição dessas colagens, desenhos, bordados e pinturas, coisas que fiz durante essa trajetória.
Como você avalia o cenário de artes visuais em BH?
Acho que no que diz respeito as oportunidades para os artistas ainda falta muita coisa a se melhorar, mas quanto a produção, acho riquíssima a qualidade de nossos artistas e os projetos que executam. Só faltam mais oportunidades de espaço e incetivos para essa produção local.
Caos (In)Apropriado fecha um ciclo? Quais seus planos futuros?
Ainda não sei direito. Esse trabalho aponta pra vários caminhos que ainda vou ter que analisar e quais serão tomados. Mas o planos são continuar com a produção e deixar as ideias fluírem mesmo e continuar mostrando esse trabalho e outro projetos, não só aqui, mas em outras localidades.
Conheça mais sobre a obra do autor pelo seu site pessoal.