

Reforçar a qualidade das montagens do Grupo Galpão é desnecessário. Rever-las é sempre um privilégio. É neste sentido que o Palácio das Artes abre suas portas para Till, a Saga de um Herói Torto, encenação que rodou por 24 cidades brasileiras, reunindo 80 mil pessoas, em 2009.
Como se sabe, a obra resgata o início da trupe no que tange sua ligação com o teatro de rua. Criada a partir de quatro cenas realizadas em março do ano passado, apoia-se no texto “Till Eulenspiegel”, de Luís Alberto de Abreu. Com universo marcado pela cultura popular da Idade Média, o flerte com a obra já havia acontecendo entre atores do Galpão, sobretudo por seu caráter eminentemente popular e sua linguagem de teatro narrativo, de grande comunicação com o público.
A direção é de Júlio Maciel, cenário e figurinos de Márcio Medina e direção musical de Ernani Maletta. “Ela nos traz desafios de como apresentar o espetáculo para um público amplo e sem restrições de idade, classe social ou formação intelectual. Isso tem reflexos em todos os elementos de criação, como a dramaturgia, a cenografia, os figurinos e a música”, afirma Eduardo Moreira, integrante do Galpão.
O enredo é pitoresco e gira em torno de uma aposta entre Demônio e Deus. O primeiro diz que tirando de um homem algumas qualidades, ele cairia em perdição. À mando de Deus (e como "objeto da aposta"), surge Till, vivendo uma Alemanha miserável (e medieval), povoada de personagens grotescos e espertalhões. Logo de início o protagonista é abandonado em meio ao frio e a fome e descobre que a única maneira de sobreviver naquele lugar é se tornar ainda mais esperto e enganador. Assim começa sua saga cheia de presepadas e velhacarias.
Para uma ambientação mais rica, Ernani Maletta, que vem trabalhando com o grupo desde 1994, resgata cantigas de roda, típicas daquele período: “O espetáculo tem uma unidade sonora que é a combinação de duas fontes que nos guiaram desde o início, a sonoridade que as músicas do Kusturica têm, mais rasgada, mais metálica, mais jocosa, e a música medieval, que possui alguns intervalos sonoros característicos, que tem uma estrutura particular”.
Sobre o figurino, vale ressaltar que foram usados tecidos artesanais, de fibras naturais e tingidos à mão. A curiosidade sobre o cenário gira em torno de dois elementos comuns nas ruas de BH, os carrinhos de supermercado e vassouras de garis.
Till, a saga de um herói torto - Grupo Galpão
De 25 a 28 de fevereiro - Quinta a Sábado às 21h e Domingo às 19h
Grande Teatro do Palácio das Artes
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