A angústia do incompreendido

A Gaivota - alguns rascunhos

30.09.2009

Grupo Piollin dá nova vida à obra centenária de Tchekhov.

A Gaivota - alguns rascunhos, curta temporada em BH

O ano é 1895. O teatro é o da cidade de São Petersburgo. No palco, A Gaivota, de Tchekhov. A peça fracassa logo na sua estreia, talvez incompreendida por uma platéia em choque. Na terceira sessão, dois dias depois, a montagem é ovacionada.

Quase 115 anos depois, o Grupo de Teatro Piollin traz à Sala João Ceschiatti o mesmo espetáculo. Os temas que emergem do seu enredo e das vidas de seus personagens não mudaram. Não havia necessidade. São universais, atemporais.

No enredo temos Treplev, um escritor inovador, incompreendido, em busca de uma voz original. Seu principal opositor é Trigorine, um escritor tradicional, que se movimenta nas correntes artísticas conhecidas e é reconhecido por toda a sociedade. Sua qualidade literária é inquestionável. As vantagens do segundo sobre o primeiro são muito evidentes.

No seu texto, Tchekov usa as questões teatrais para falar não só dos próprios medos, mas também estender esses conflitos ao espectador. Ao mesmo tempo que mostra o temor que a incompreensão provoca, o espetáculo apresenta uma visão profunda de uma sociedade cada vez mais vulnerável aos males existenciais.

Haroldo Rego, mostrando estar bastante sintonizado com o autor russo, fez uma releitura aguçada da peça, usando criativas soluções estéticas para dialogar com o texto.

Merece destaque o minimalismo dos elementos cênicos, especialmente o uso de objetos inusitados como um ventilador e um saco transparente de plástico.

Detalhes

A Gaivota - alguns rascunhos
Grupo de Teatro Piollin, de Pernambuco
30 de setembro, às 20h
Teatro João Ceschiatti, Palácio das Artes
Direção: Haroldo Rego
Elenco: Ana Luisa Camino, Buda Lira, Everaldo Pontes, Nanego Lira e Thardelly Lima
Informações: (31)3236-7400

www.mondobhz.com.br