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O vencedor do Oscar Tom Hanks é muito mais conhecido por seus trabalhos como ator do que como diretor. E não é à toa, claro. Antes de Larry Crowne: O amor está de volta os trabalhos do astro nessa área resumiam-se a participações em episódios pontuais de séries de TV e a apenas um filme: The Wonders - O Sonho Não Acabou, de 1996, que chegou a ser indicado ao Oscar na categoria melhor canção original, mas não fez muito sucesso. Mas dessa vez, Hanks quis garantir que o filme sairia exatamente como queria e pagou, literalmente, do próprio bolso para fazer Larry Crowne, sendo também o produtor executivo, roteirista e protagonista da produção. Como tem muito prestígio em Hollywood, ele é um dos poucos atores que pode se dar ao luxo de fazer isso e não ser visto como um louco (você pode ir à falência fazendo um filme, imagine sendo também um dos produtores executivos!). E, de quebra, convidou uma grande amiga para ajudá-lo na empreitada: a também vencedora do Oscar e campeã de bilheterias Julia Roberts.
Mas Julia parece não ter dado a sorte de sempre ao filme. Ele foi mal nos Estados Unidos, o que é lamentável, visto que é uma obra de excelente qualidade. Mas não é difícil deduzir o porquê: o personagem sofre financeiramente, consequência da crise que atinge aquele país desde o fatídico ano de 2008. E não devem ter sido poucos aqueles que se identificaram com a trajetória do protagonista. E, como não é difícil deduzir, a maior parte das pessoas vai ao cinema para esquecer, não lembrar, dos problemas. Logo, é fácil entender a bilheteria. Internacionalmente, claro, a obra está faturando bem. O fenômeno é bastante parecido com o que aconteceu com alguns filmes que retrataram o 11 de setembro anos depois do ocorrido e mesmo assim foram rejeitados pelo público estadounidense, que não queria (e ainda não quer) refletir sobre o assunto.
Bem, mas vamos ao filme! Larry (Hanks) trabalha numa rede de supermercados e é uma espécie de funcionário modelo e exemplo de bom mocismo. A notícia de que será despedido cai como uma bomba para ele, que havia passado por maus bocados nos anos anteriores e precisa quitar a hipoteca. O motivo que alegam é o fato dele não ter curso superior. Ele decide então fazer algumas aulas, é quando conhece a professora Mercedes Tainot (Roberts) e a amiga Talia (Gugu Mbatha-Raw), duas mulheres que mudarão a sua vida para sempre.
A obra é uma comédia romântica, mas com muito mais conteúdo e menos cenas de nudez que de costume, além de transitar por temas muito atuais e sérios, como o alcoolismo e a pornografia na internet. Mas isso tudo sem perder o bom humor e com as grandes estrelas brilhando como sempre. É uma obra mais madura, na qual é perceptível o quanto Hanks melhorou com o tempo, uma transição bastante difícil para a maior parte dos atores. Naturalmente não será bem recebido pelos adolescentes com hormônios à flor da pele. Nem pelos apreciadores das piadas fáceis e apelativas.
É um filme para toda a família, divertido e inteligente como poucos. Se tem algum defeito, é o fato de ser perceptível na tela o quanto os protagonistas seriam um casal impossível: parecem mais irmãos que namorados! Acredito que a amizade de tantos anos entre os dois influenciou bastante nisso, para que tivessem cenas menos calientes. Ainda assim, é um sopro de ar novo em meio a um campo tão saturado quanto este da comédia romântica, onde a imbecilidade predomina.
Larry Crowne: O amor está de volta
Dirigido por Tom Hanks (1h 38min)
Saiba onde está em cartaz

Priscila Armani é jornalista e apaixonada por cultura. Ela escreve sobre cinema, artes plásticas e teatro. Fez o curso de Linguagem e Crítica Cinematográfica com Pablo Villaça, criador do Cinema em Cena. Contacte-a pelo seu email priscila.armani@mondobhz.com.br ou siga-a no Twitter.
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