Restaurantes self-services que preparam comidas insossas e cadeias de comida rápida que servem sanduíches e pizzas sem vida são as opções mais procuradas pelas pessoas que almoçam na rua, nestes tempos em que todos parecem trabalhar cada vez mais.
Como resultado disso, os tradicionais PFs, como são conhecidos os pratos feitos, foram sendo deixados de lado, e hoje já não fazem tanto sucesso quanto antigamente.
Mas ainda existem lugares que mantêm essa tradição em Belo Horizonte, e de maneira muito competente, diga-se de passagem.
O Bar do Antônio talvez seja o melhor exemplo. Localizado em área nobre da capital mineira, ele é ponto de encontro daqueles que buscam ambiente agradável e qualidade ao fazer suas refeições.
Fundado em 1964, o Pé de Cana, como também é conhecido o bar, tem cardápio extenso, com mais de 60 opções de petiscos, carnes, salsichas artesanais e sanduíches.
Mas é o almoço que sempre reserva boas surpresas, graças às três opções de pratos oferecidos todos os dias, com exceção das sextas e domingos, quando o cliente tem quatro alternativas a sua escolha.
Algumas sugestões do dia são a rabada (R$18,50), às terças, o feijão tropeiro (R$14,50), às quartas, e o galeto (R$24), oferecido toda quinta-feira.
Às sextas-feiras as mesas do Pé de Cana ficam concorridas, pois o bar é invadido por publicitários e por clientes que já começam ali mesmo os preparativos para o final de semana. Por isso, a dica é chegar antes de 12h ou depois das 14h.
As sugestões do dia, na sexta-feira, são língua com purê de batatas (R$18), costelinha com ora-pro-nobis (R$18,50), batata recheada (R$13,50) e o mineirinho (R$13).
Composto por arroz, tutu de feijão, lingüiça de porco ao vinho, ovo frito e mostarda refogada, o mineirinho é irresistível, e tenho a impressão de que se ele for degustado em uma das mesinhas de madeira que ficam na calçada, mais saboroso ainda fica.
O arroz é perfeito, pois, além de bem temperado, soltinho e cozido no tempo certo, não vem em quantidade exorbitante, como é comum quando o assunto é prato feito.
Já o tutu tem a textura correta e é leve. Poderia ser um pouco mais temperado, mas o molho de tomates por cima dele compensa esta pequena falha. E a mostarda refogada muda de forma sutil a cara deste tradicional prato da culinária mineira, que geralmente tem a couve como acompanhamento.
Destaque para a excelente e generosa porção da lingüiça de porco, sequinha, crocante por fora e macia por dentro. Ela é levemente apimentada e tem um toque especial de cheiro verde. Ao contrário da informação do garçom, ela não chegou à mesa com molho de vinho. Melhor assim.
Outro atrativo é a apresentação dos pratos, montados de forma simples, porém organizada.
Para os tradicionalistas, o cardápio oferece opções fixas de pratos feitos, sempre compostos por carne, arroz, feijão comum, salada de tomate, alface e cenoura ralada e salada de batatas ou batatas chips da casa.
São dois os preços: R$11 (pernil, lingüiça, contrafilé, peito de frango, omelete, feijoada, vegetariano, mexidão e espaguete à bolonhesa ou alho e óleo) e R$25 (medalhão, picanha ou bife de chorizo).
Além de ser um dos melhores bares de Belo Horizonte, o Antônio serve um PF muito acima da média, feito com esmero e com ingredientes de boa qualidade.
O estabelecimento serve chope Brahma a R$4,40 o copo de 300ml, e o preço da cerveja 600ml varia de R$4,90 (Brahma) a R$6 (Serra Malte e Original). O cardápio lista também 12 rótulos de cervejas especiais e importadas, além de vinhos da Itália, Argentina, Chile e Portugal.
Premiado diversas vezes pelas revistas Gula, Encontro e Veja, o bar recebeu o famoso apelido devido ao pé de cana plantado pelos habitués em frente ao local.
O Bar do Antônio não aceita cheques, mas trabalha com cartões de crédito e de débito Visa, MasterCard e American Express. Funciona de segunda a sábado, das 11h à 1h, e aos domingos, de 11h as 19h.
Bar do Antônio "Pé de Cana"
Rua Flórida, 15, Sion
Informações: (31): 3221-2099

Daniel Neto, o Nenel, 28 anos, é jornalista por formação, músico por paixão e boêmio por hereditariedade. Formado pela Universidade Fumec, em Belo Horizonte, já trabalhou como repórter e redator de revista especializada em enogastronomia. É apreciador da baixa gastronomia de qualidade e, nas horas vagas, se arrisca na cozinha. Entre em contato com ele ou siga-o no twitter.
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