
O Cine Humberto Mauro apresenta até o dia 20 de março a mostra Inéditos em BH, dedicada a filmes realizados nos últimos anos e que ainda não entram em cartaz na cidade.
Se o número e qualidade de lançamentos no circuito comercial de cinema no Brasil são ainda bastante insatisfatórios em relação ao quadro geral de lançamentos no mundo, o circuito de Belo Horizonte se encontra em situação ainda pior. Com o fechamento de salas e a pouca ousadia da programação dos cinemas existentes na cidade, diversos filmes exibidos nas principais capitais do país (e em algumas cidades do interior), nos últimos anos, permanecem inéditos em BH. A mostra busca chamar a atenção para este fato exibindo uma pequena amostra destas obras.
Entre os títulos está Filme Socialismo, de Jean-Luc Godard, que, dentre outras coisas, interroga o estado atual do capitalismo por meio de suas imagens e mitos. Da crise econômica e política dos países do Mediterrâneo às imagens amadoras contemporâneas, nada permanece incólume. Como em geral acontece com a obra do diretor, o mundo parece fazer questão de tornar o filme ainda mais atual.
Do veterano Marco Bellochio, Vencer volta ao passado para discutir a ascensão do Fascismo na Itália. No filme, a postura mitológica do carismático e midiático líder do país é contraposta à revolta de sua ex-amante, reprimida a qualquer custo pelo regime.
Em O Que Resta do Tempo o diretor palestino Elia Suleiman fecha uma trilogia autobiográfica sobre o cotidiano de um povo sem território. Por meio do burlesco, Suleiman filma a dissolução da comunidade como resultado da intransigência da grande política. Já Os Inquilinos, do sempre polêmico Sérgio Bianchi, trata do ressentimento da classe média e da ameaça imaginária das periferias brasileiras.
Em Minha Terra, África (White Material) a diretora francesa Claire Denis aborda a questão colonial e racial no continente africano. A política de trocas e valores envolvidos no tema é trabalhada no filme em razão do conflito de olhares que o constituem.
A Erva do Rato, de Júlio Bressane, retoma dois contos de Machado de Assis assim como diversas referências mitológicas e pictóricas para tratar da angústia do homem frente a sexualidade feminina.
Por fim, Ervas Daninhas, do mestre Alain Resnais, já foi exibido em Belo Horizonte em uma versão digital, com condições técnicas alteradas (que suscitaram até um abaixo assinado virtual) mas agora poderá, enfim, ser visto no formato em que foi originalmente concebido.
Mostra Inéditos em BH
Até 20 de março
Ingressos: R$ 5,00 (inteira), R$ 2,50 (meia-entrada)
Cine Humberto Mauro
Avenida Afonso Pena 1.537, Centro
Informações: (31) 3236-7400

Priscila Armani é jornalista e apaixonada por cultura. Ela escreve sobre cinema, artes plásticas e teatro. Fez o curso de Linguagem e Crítica Cinematográfica com Pablo Villaça, criador do Cinema em Cena. Contacte-a pelo seu email priscila.armani@mondobhz.com.br ou siga-a no Twitter.
A Mondo BHZ é uma revista de crítica cultural direcionada ao público de Belo Horizonte. Aqui, voce encontra:
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