
Ator de TV e Cinema, Danny Trejo tem em seu currículo cerca de 200 títulos cadastrados, incluindo aqueles em produção e pós-produção. Um dos mais profícuos atores de Hollywood, sua média é de quatro filmes por ano, sendo que apenas em 2002 ele chegou a fazer 9. Viciado em drogas e preso por diversos crimes, chegou a cumprir pena em San Quentin, prisão norte-americana que tem o maior corredor da morte do país. Se reabilitou após participar de um programa de 12 passos. O Cinema literalmente salvou sua vida.
Ele é protagonista de Machete, novo filme de Ethan Maniquis e Robert Rodriguez (este último realizador de El mariachi, com o qual ficou consagrado internacionalmente; Pequenos Espiões (e suas sequências); Era Uma Vez no México; Sin City e Planeta Terror). Sua atuação é, da obra inteira, a única coisa que salva. Isso porque ele, faz, como Machete Cortez, aquilo que sabe melhor: assassinatos extravagantes, manipulação de facas de diversos tamanhos e cenas de luta que passam o mais longe possível de qualquer verossimilhança. Quanto mais exagerado e sangrento, melhor. Esse é o estilo dele. E é por isso que Rodriguez gosta tanto de trabalhar com ele. Isso e o fato de ambos serem primos, claro.
No filme, cujo orçamento era de US$ 10 milhões e que só no final de semana de estreia arrecadou mais de US$ 14 milhões, Machete (Trejo) é um policial federal que perde tudo, o clássico personagem justo e bom no qual a vida dá uma rasteira. Como imigrante, ele faz serviços gerais, alguns bicos aqui e ali, quando recebe uma proposta inusitada. E é isso. Não dá pra revelar muito mais com o perigo de estragar "a graça" da coisa. E é essencial deixá-los de sobreaviso a respeito da obra: não é um filme para ser levado a sério de forma alguma. É trash, caricatural e recomendado para aqueles que gostam de obras machistas, regadas a sangue, pedaços de corpos, mulheres semi-nuas / peladas, insinuações de uso de bebida alcóolica e drogas, além de uma série de blasfêmias. Uma sequência em particular, de um Padre usando armas ao som da Ave Maria de Handel, é bastante polêmica por si só. É um filme direcionado para aqueles que gostam do gênero. Esses tem a diversão garantida.
O filme já começa bem trash, com letreiro retrô e imagens que remetem ao uso da película. O desfecho segue a mesma linha. Entre um e outro, 105 minutos pouco realistas, com enquadramentos e trilha sonora clássicos de filmes trash, ritmo de narrativa super rápido, cenas de explosão e mortes em sequência, além de muitos closes em bundas e exageros sem fim. Talvez uma das piores atuações da carreira de Jéssica Alba até então (o que não é pouco, convenhamos, já que ela é medonha). Sobre Michelle Rodriguez nem comento. E Steven Seagal então? Vejam vocês por si próprios e cheguem às suas conclusões.
Fica mais do que óbvio que Machete foi feito com intenção de ser caricatural em todos os sentidos, mas é um filme que chega a irritar em alguns momentos aqueles que não estão acostumados a esse gênero. Fica difícil ter boa vontade com o roteiro depois de certo ponto, mesmo tendo ciência de que tudo foi minimamente calculado para ser ruim. A trama é muito confusa e não se resolve efetivamente. A cena do confronto final é das mais surreais, com direito a sorveteiro correndo com carrinho de picolé e tudo mais. Para os fãs de Rodriguez é tudo um deleite. Para qualquer outro tipo de audiência, é uma grande perda de tempo.
Machete
Dirigido por Ethan Maniquis e Robert Rodriguez (1h 45min)
Em cartaz nos cinemas de BH

Priscila Armani é jornalista e apaixonada por cultura. Ela escreve sobre cinema, artes plásticas e teatro. Fez o curso de Linguagem e Crítica Cinematográfica com Pablo Villaça, criador do Cinema em Cena. Contacte-a pelo seu email priscila.armani@mondobhz.com.br ou siga-a no Twitter.
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