
A partir desta quinta-feira, Belo Horizonte se torna a capital do jazz recebendo no palco do Palácio das Artes o Jazz Festival Brasil, que já passou por São Paulo, Recife e Rio de Janeiro.
Encerrando com chave de ouro a turnê pelo país, a sétima edição do evento faz uma justa homenagem a Benny Goodman, clarinetista e músico de jazz conhecido como "O Rei do Swing". Para isso, um time de jazzistas de peso foi convocado.
Sobre a homenagem e a programação, o Mondo BHZ conversou com o inglês Nik Payton, organizador do evento e músico discípulo de Bob Wilber, que já tocou nos maiores palcos do mundo e, inclusive, colaborou com a trilha sonora do filme Olga, indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Atualmente ele mora em Belo Horizonte.
Mondo BHZ: Após seis bem sucedidas edições do Jazz Festival Brasil, o evento chega à sétima homenageando Benny Goodman e, de certa forma, o Swing Jazz. O que há de único na curadoria e escolha dos artistas desta edição?
Nik Payton: Nós queríamos mostrar várias coisas nesta edição do Jazz Festival Brasil. Como é o centenário de nascimento do Benny Goodman, claro que nós queríamos colocar uma banda para fazer uma homenagem. Para isso, não tinha ninguém melhor que Bob Wilber, um dos saxofonistas mais respeitados do mundo, e Dany Doriz, o herdeiro musical do Lionel Hamton, o famoso vibrafonista.
Esse ano nós estamos abrindo um pouco mais o perfil do festival para incluir mais tipos de jazz, mas continuando a mostrar que esse estilo não é musica de elite. O Jazz 6 e a Kristine Mills mostram um tipo de jazz que é um pouco mais moderno, mas ainda muito acessível. E a Gunhild Carling sempre faz um show cheio de energia e swing. A inclusão do Gangbé Brass Band foi um toque para mostrar os ritmos e melodias da Africa, que tiveram impacto muito grande em Nova Orleans bem no começo do surgimento do jazz.
Mondo BHZ: Há também um diálogo com a programação do Ano do Brasil na França. O que dizer da presença dos franceses Dany Doriz & The Cave Huchette Quartet neste sentido?
Nik Payton: Comida e vinho são as primeiras palavras que vem à cabeça quando você pensa sobre a França. Então é um prazer para nós podermos mostrar um outro lado desse grande país. O Cave Hutchette, ou Caveau de la Hutchette em francês, é um clube de jazz bem conhecido em Paris e Dany Doriz é o diretor musical desse clube. Ele tocou com o grande Lionel Hampton e por isso foi uma ótima escolha para tocar no festival e participar junto com Bob Wilber da homenagem para Benny Goodman.
Mondo BHZ: E sobre as outras atrações? A presença de Luis Fernando Veríssimo também parece atrair o pessoal da literatura, correto?
Nik Payton: Para nós, artistas, existe um conexão entre todas as artes. Essa ligação nem sempre fica óbvia para o público. A ideia de incluir Luis Fernando Veríssimo e o Jazz 6 foi para mostrar um pouco dessa conexão e para convidar o pessoal da literatura a conhecer o nosso mundo do jazz.
Mondo BHZ: Retomando a história do Benny, sua música, e de certa forma o próprio jazz, encontra uma raiz em comum com a música brasileira, sobretudo na parte rítmica. Dá para fazer essa relação entre o Swing, o Jazz e os ritmos tipicamente nacionais?
Nik Payton: A maior relação que existe entre o jazz e a música brasileira é entre o ragtime, um dos primeiros tipos de jazz, e o choro. Os chorinhos seguem a mesma estrutura do ragtime: melodia principal, segundo tema e terceiro tema. Muitos têm melodias bem similares. Todos os músicos de jazz que escutam chorinho pela primeira vez comentam sobre isso. E todos gostam muito!
Jazz Festival Brasil
Grande Teatro do Palácio das Artes
Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro
De 27 a 30 de agosto, sendo que no Domingo a entrada é franca
Informações: (31) 3296.5624

Priscila Armani é jornalista e apaixonada por cultura. Ela escreve sobre cinema, artes plásticas e teatro. Fez o curso de Linguagem e Crítica Cinematográfica com Pablo Villaça, criador do Cinema em Cena. Contacte-a pelo seu email priscila.armani@mondobhz.com.br ou siga-a no Twitter.
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