
Lucas Alan Pinto (Kidd) é um jovem escritor mineiro, que lança recentemente a obra Momentos, como uma compilação de poesias criadas em vários momentos de sua trajetória. Realizamos uma entrevista com o poeta, que conta mais sobre sua obra e vida.
Logo no início do livro, em “Sobre o autor e a obra”, há uma passagem marcante da narrativa sobre a morte da primeira namorada, A temática do amor perpassa também toda a extensão de Momentos. Em que medida o relacionamento e o afeto por pessoas próximas serviu como fonte para sua escrita?
As pessoas com as quais convivemos contribuem na formação de nossas personalidades, como todos sabemos. Mas o conceito de pessoa pode variar (lembremos disso). É certo que tudo que faço tem influência do meio. Mas tento me desvincular de ideias que mantenham uma só influência, a não ser que seja realmente importante.
O meu amor à Mari, minha primeira namorada, é algo que me marca e ela está e sempre estará muito presente em qualquer coisa que eu fizer. O meu amor pela vida vem muito do amor a ela, pois muita coisa não teria qualquer cor ou graça se ela não tivesse me ensinado a ver dessa forma.
Superei muitas dificuldades graças a ela. Mas não amo somente ela, claro. Me apaixono muito facilmente pelas pessoas, e dificilmente perco o amor por elas. Amo o mundo. Amo tudo, todos. Não de modo igual como eu queria, mas amo.
Importante ressaltar que as pessoas próximas não nos inspiram somente o amor. Depende muito do sopro que habita cada momento. O amor pode ser visto em tudo e todas poesias, mas eu tento em minhas poesias abarcar temáticas variadas para não abusar deste tema tão importante.
Mas me influenciam tanto pessoas próximas quanto distantes. O que importa é o contato. Sem contato, mesmo que mínimo ou imperceptível, não há influência.
Várias poesias carregam uma carga pessoal, um ponto de vista próprio e até mesmo a fala do narrador. Escrever poesia pode ser escrever sobre si mesmo?
Pode ser, mas não é sempre. Sou uma pessoa muito volúvel, flexível, embora obedeça a certos princípios. Então eu permito a mim mesmo transferir ao papel algo que não tenha perfeita afinação à minha alma. Não costumo ser contra o que é diferente de mim. Sou a favor da diversidade. Sinto-me às vezes como uma amálgama de opiniões, vidas, emoções.
Vivi intensos episódios, períodos de consideráveis experiências, tanto prazenteiras quanto lôbregas, que me impeliam à escrita. E principalmente naquilo que se refere a dores, a escrita me serviu sempre como um elixir, morfina, ou algo assim.
Eu escrevo o que passa por mim. Eu sinto e escrevo. Não quer dizer que seja algo absolutamente ligado à minha personalidade. O mundo escreve através do escritor.
Para um livro de poesias, Momentos de uma extensão considerável. Como se deu o trabalho de edição e escolhas dos textos a serem publicados?
No ano passado eu já tinha muitas poesias escritas. A maioria. Mandei para uma editora de Portugal e eles quiseram publicar, mas acabou ocorrendo um desentendimento quanto a algumas cláusulas contratuais, e não foi feita a edição e publicação. O que foi melhor, pois até a publicação de Momentos aqui no Brasil, pude melhorar a seleção e o número de poesias do livro.
Quando resolvi publicar, já em 2010, fui buscando em meu computador e meus cadernos todas as poesias para agremiá-las, reuni-las. Para o trabalho de compilação, eu rejeitava algumas que não me agradavam muito, mas sendo o mais aberto possível, para aceitar o meu eu passado. Se não soubermos aceitar a nós mesmos, não aceitaremos bem os outros. E neste trabalho, acabei encontrando uns arquivos esquecidos em meu computador, onde estavam numerosas poesias. Pensei em deixá-las de lado, mas pus muitas. O livro estava com cerca de 250 páginas.
Avaliei, mandei para amigos que entendem de diagramação, conversei, e resolvemos diminuir o volume do livro, diminuindo a fonte, mudando-a para uma mais interessante, diminuindo espaçamento entre linhas e diminuindo margens. Assim ele ficou mais compacto, com 123 páginas. Contudo, continua tendo uma extensão considerável para um livro de poesias.
Eu mandei para a editora em São Paulo, e ela gostou e aceitou publicar com seu nome. Mas ao estudar a questão, encontrei a possibilidade de eu mesmo ser o editor da obra. Concluí que seria muito melhor para um escritor noviço não ter vínculo com uma editora, pois elas costumam exigir certos compromissos que engessam o autor, tirando dele algumas liberdades que não precisavam ser tiradas. Assim, me registrei como editor-autor e eu mesmo cuidei de boa parte da edição do meu livro.
A capa é uma maravilhosa obra de arte de um artista plástico chamado Tiago Castro, conhecido pelo epíteto de Geraldão, que é grande e velho amigo meu. Esta obra dele encerra diversas simbologias, mensagens que eu mesmo não as desvendei por completo ainda. Ele me conhece muito bem e creio que não haveria melhor pessoa para fazer essa capa, não só por seu reconhecido dom artístico, mas por estar tão a par de minha realidade. Ele também fez o design e tudo referente a isso. E a foto da orelha foi produzida, tirada, tratada por outro grande amigo, o fotógrafo Vicente França, que trabalha em um dos maiores estúdios do país. A própria capa também é uma foto tirada por ele, da obra do Geraldão.
Tendo a capa e tudo pronto, mandamos para o editor em São Paulo, e ele terminou o processo com a impressão e encadernamento dos livros, que foram enviados para Belo Horizonte para servirem à noite de lançamento, onde se esgotou a primeira tiragem.
Você mora em BH, correto? Como vê o cenário para novos escritores? Você acompanha de perto o trabalho de algum outro escritor na cidade?
Moro em BH. Acho que nossa cidade é muito fértil culturalmente e tem um mercado consumidor de palavras e ideias de dar inveja em muitas cidades brasileiras. Os escritores novos têm muito campo para explorar, pois as mentes mineiras, segundo observo, costumam ter gosto significativo pelo que atrai a intelectualidade. Desde as periferias até o centro da cidade, é de se notar pessoas interessadas pela geração de cultura na poesia, no teatro, no cinema, na literatura, na música, e tudo isso é também objeto de trabalho do escritor.
Pra ser sincero, de poetas vivos daqui de BH, acompanho poucos. Diogo Alone e Luís Carlos Gambogi são poetas (de estilos diversos) daqui que eu admiro muito e acompanho de perto. Agora, tirando o foco da poesia, conheço inúmeros escritores excelentes daqui de nossa BH. Principalmente juristas, como o já citado Gambogi. Citar todos que conheço seria muito extenso e eu temeria esquecer algum, pois muitos são amigos que não podem ser esquecidos.
Pra ser sincero, de poetas vivos daqui de BH, acompanho poucos. Diogo Alone e Luís Carlos Gambogi são poetas (de estilos diversos) daqui que eu admiro muito e acompanho de perto. Agora, tirando o foco da poesia, conheço inúmeros escritores excelentes daqui de nossa BH. Principalmente juristas, como o já citado Gambogi. Citar todos que conheço seria muito extenso e eu temeria esquecer algum, pois muitos são amigos que não podem ser esquecidos. Bom... O leitor se torna um amigo, mesmo não conhecendo o autor pessoalmente. E é preciso o escritor valorizar essa relação e essa amizade.

Em Belo Horizonte, curte bares discretos, livrarias e feriados prolongados e vazios. É Jornalista, amante de literatura, música e tecnologia. Também é editor da Revista Opperaa. Siga-o no Twitter ou no Facebook.
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