
Vencedora do Bafta TV Awards e indicada a dois Emmys, Susanna White tem em seu currículo apenas mini-séries, cuja repercussão ficou restrita ao Reino Unido principalmente. Nanny McPhee e as Lições Mágicas é o primeiro longa que dirige, numa parceria com a vencedora de dois Oscar Emma Thompson que vai muito além apenas da interpretação da protagonista. Emma é Nanny na telona, mas também foi roteirista e produtora, chegando a cogitar abandonar o seu personagem no capítulo final da saga Harry Potter apenas para terminar de escrever o roteiro (com a divisão do último filme em dois, isso não foi necessário). A atriz foi a idealizadora do projeto, sendo dela a ideia de adaptar para o cinema os livros de Christianna Brand, escritos na década de 60. O primeiro filme, de 2005, foi resultado de sete anos de negociações e teve o modesto orçamento de US$ 34 milhões. Este é uma sequência, mas é totalmente independente do anterior, uma sábia escolha, que não impede quem deixou de ver o primeiro de assistir o segundo.
A fórmula "mágica" que norteia o filme faz dele um sucesso. Some excepcional elenco, cheio de estrelas talentosas, a uma ótima trilha sonora, efeitos especiais na medida certa e um toque leve de humor, bem leve, mesmo que um pouco "britânico" demais às vezes. O que você tem? Nanny McPhee e as Lições Mágicas! Excelente diversão para a família toda, inclusive para os pais, que tanto sofrem com certos filmes quando tem de levar seus filhos ao cinema. Esse é o tipo de longa para o qual dá pra ir sem medo de violência, palavreado inadequado para a idade dos pequenos ou enredo elaborado demais. Ideal para crianças até 12 anos. O que não exclui os adultos que gostem de magia, claro.
Mas vamos ao enredo. Isabel Green (a indicada ao Oscar Maggie Gyllenhaal) é mãe de três filhos e, além de trabalhar na loja de Mrs. Docherty (Vencedora de dois Oscar Maggie Smith), administra sozinha sua casa, uma fazenda, na qual tem de tomar conta de tudo e se preocupar com as contas a pagar já que o marido Rory Green (Ewan McGregor) está na guerra, servindo ao Exército. Não bastassem todas as suas preocupações, terá de hospedar dois sobrinhos, Cyril (Eros Vlahos) e Celia Gray (Rosie Taylor-Ritson), vindos de Londres. Quando o caos se instala em sua vida, Nanny McPhee (Thompson) chega para ajudá-la com as crianças. Naturalmente essa ajuda acaba indo muito além do costumeiro trabalho de uma babá. Afinal, é uma babá mágica!
A trilha sonora é muito boa, mesclando música instrumental com clássicos antigos, e sem ela não há o clima certo de magia no filme, sendo fundamental para que "entremos" na história e entendamos sobre o "trabalho" da babá. O responsável por ela é James Newton Howard, que fez trilhas bem diversificadas, de Uma Linda Mulher, a The Dark Knight, entre tantas obras. Indicado oito vezes ao Oscar, trabalha bastante com Shyamalan. De fato, em muitos filmes deste, a trilha é a única coisa aproveitável.
O elenco, como já disse, é ótimo, tanto os atores infantis quanto as estrelas convidadas. O indicado ao Oscar Ralph Fiennes aparece como um general de alta patente, enquadrado inicialmente de longe, numa cena particularmente interessante. Seu personagem só ganha um close na hora certa, indicando repentina aproximação, devido a um estranhamento. Daí em diante, a câmera segue a cena de acordo com o diálogo dos personagens. É sutil, mas marcante, um ponto de virada do filme.
Os efeitos especiais são ótimos e usados na dose certa, sem exageros, com exceção no encerramento do filme, um pouco pirotécnicos demais, mas não estragam em nada o desenvolvimento da história. Destaque para a ausência dos letreiros iniciais completos, que vem ao final em créditos animados bem interessantes, uma espécie de "valorização" dos créditos, que fazem valer a pena ficar um pouco mais sentado na cadeira do cinema depois que a obra acaba.
Nanny McPhee e as Lições Mágicas é singelo, simples, tem sensibilidade, humor e certo carisma que conquistou as plateias de todo o mundo e no Brasil não deve ser diferente. Era uma fórmula que não tinha como dar errado. Uma das raras sequências que consegue ser melhor que o primeiro filme e que vai além, oferecendo entretenimento para as famílias que não deixa de ser ao estilo blockbuster, mas que não perde nada em qualidade por causa disso. Emma Thompson é atriz, roteirista e produtora bem-sucedida. Tomara que não pare tão cedo em nenhuma dessas funções.
Nanny McPhee e as Lições Mágicas
Dirigido por Susanna White (1h 49 min)
Saiba onde está em cartaz

Priscila Armani é jornalista e apaixonada por cultura. Ela escreve sobre cinema, artes plásticas e teatro. Fez o curso de Linguagem e Crítica Cinematográfica com Pablo Villaça, criador do Cinema em Cena. Contacte-a pelo seu email priscila.armani@mondobhz.com.br ou siga-a no Twitter.
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