
Steve Pink roteirizou, no ano 2000, Alta Fidelidade, com John Cusack, filme baseado em livro de Nick Hornby que se tornou cult e popular entre muitos jovens na época. Dez anos depois, ele volta ao mainstream com A Ressaca (Hot Tube Time Machine), retomando parceria com o ator, dessa vez na direção da obra. O novo trabalho, uma pena, é simplesmente lamentável.
O enredo é bizarro: Adam (John Cusack), Nick (Craig Robinson) e Lou (Rob Corddry) são amigos desde a adolescência e seguiram cada qual o seu deprimente caminho. Seguindo a risca o conceito de "perdedores" que os norte-americanos tanto gostam, se reencontram em circunstâncias nada agradáveis. E decidem empreender juntos uma viagem. Jacob (Clark Duke) é sobrinho de Adam e não tem nada com isso, mas acaba indo assim mesmo. Eles acabam se deparando com uma banheira de hidromassagem que os leva de volta aos anos 80. Agora... uma banheira que é uma máquina do tempo? Como assim? Quem foi que teve uma overdose de drogas e veio com esta ideia tão imbecil e que exige tanta boa vontade de quem está assistindo para acreditar nisso? Josh Heald, um "joão-ninguém".
Não bastasse isso, os Efeitos Especiais que envolvem o funcionamento da "banheira máquina do tempo" são pouquíssimo críveis (não que veracidade fosse necessária num filme com um enredo desses, é verdade). Inevitáveis são as comparações com o clássico De Volta Para o Futuro, de 1985, nas quais o filme mais atual perde, inevitavelmente. Não há graça nas piadas, que apelam para o humor escatológico e fazem referências a deficientes físicos, negros, animais e tudo o que há de pior e mais estúpido do humor norte-americano, modelo este já superado e pouquíssimo utilizado nas novas safras de comédias. Tem que ter muita boa vontade para achar alguma coisa engraçada nesse filme. E mesmo quando temos essa predisposição, é impossível ignorar o fato de que a obra é muito fraca e deprimente em vários momentos.
Os ícones dos anos 80 ou dos anos 2000 aos quais o filme se referencia não cativam o público, são muito óbvios para nos causarem algum tipo de sentimento, seja nostalgia no primeiro caso ou identificação no segundo. A aparição de Chevy Chase como um "técnico" também é bastante esquisita, nos causa mais uma estranheza que um divertimento propriamente dito. Tinha tudo para a presença dele marcar uma espécie de "revival", ideia esta que A Ressaca, de certa forma, reforça. Mas o filme não tem fôlego nem é feito com competência para tanto.
A Ressaca demonstra que, como diretor, Steve Pink é ótimo roteirista! Talvez ele devesse ter feito o roteiro de A Ressaca ao invés de ser o realizador. Talvez assim a obra ainda tivesse alguma salvação, visto que os diálogos são fracos, os personagens estão desorientados na tela, indo de um lado para o outro sem muita noção de qual é o argumento que norteia a história, as piadas são ruins, os atores estão desperdiçados. O resultado é uma grande perda de tempo, que não vale, absolutamente, o preço do ingresso.
A Ressaca (Hot Tube Time Machine)
Dirigido por Steve Pink (1h 40 min)
Saiba onde está em cartaz

Priscila Armani é jornalista e apaixonada por cultura. Ela escreve sobre cinema, artes plásticas e teatro. Fez o curso de Linguagem e Crítica Cinematográfica com Pablo Villaça, criador do Cinema em Cena. Contacte-a pelo seu email priscila.armani@mondobhz.com.br ou siga-a no Twitter.
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