
Desnecessário dizer que um ótimo filme tem em sua essência uma composição sonora marcante. E é sobre este aspecto que o Cine Humberto Mauro apresenta a mostra O Jazz no Cinema, de 10 a 20 de agosto.
Durante o período, serão exibidos filmes de grandes diretores, que tenham compositores de renome na responsabilidade pelas trilhas sonoras, obviamente jazzísticas.
As projeções contemplam:
A Marca da Maldade. Direção de Orson Welles e trilha de Henry Mancini. A obra (noir) é uma das raras oportunidades de aprofundamento na arte do diretor para além de O Cidadão Kane. Mancini, por sua vez, foi arranjador notável. Serviu ao exército norte-americano na Segunda Guerra Mundial, conseguindo trocar a infantaria pela banda. De volta aos EUA, toca com o mestre das big bands, Glen Miller. Para o cinema, compôs também para diretores como Paul Newman e Vittorio de Sica. Entre seus trabalhos, encontram-se Bonequinha de Luxo e A Pantera Cor de Rosa. Com A Marca da Maldade, Mancini torna-se o responsável por introduzir o jazz nas trilhas de cinema, gênero até então ausente da sétima arte.
Ascensor para o Cadafalso. Direção de Louis Malle e trilha sonora de Miles Davis. Desnecessário dizer que Davis é uma das maiores referências mundiais da música. A trilha foi gravada no ano em que o Miles Davis Quintet (John Coltrane, Red Garland, Paul Chambers e Philly Joe Jones) acabava, portanto sendo seu primeiro trabalho posterior.
Sombras. Direção de John Cassavetes e trilha Sonora de Charles Mingus. Este é o primeiro filme de Cassavetes, trazendo como marca a improvisação dos atores associada ao jazz, gênero de grande influencia na obra do cineasta.
Anatomia de um Crime. Direção de Otto Preminger e trilha sonora de Duke Ellington. A obra tem Duke como um líder de orquestra. O músico vivia o seu auge como artista, após já ter trabalhado inclusive como mordomo da Casa Branca.
Blow Up. Direção de Michelangelo Antonioni e trilha sonora de Herbie Hancock. Para o primeiro filme em inglês do diretor, nada mais justo que convidar o então músico do momento, Hancock, que havia se destacado por parcerias com Miles Davis.
Manhattan. Direção de Woody Allen e trilha sonora de George Gershiwin. Gershiwin (e seu irmão, Ira) foram os responsáveis pela formação do jazz. Entre intérpretes de suas canções estão nomes como Ella Fitzgerald, Fred Astaire, Louis Armstrong, Janis Joplin, John Coltrane, Frank Sinatra, Billie Holiday, Miles Davis, Herbie Hancock, Madonna, Judy Garland, Barbra Streisand, Natalie Cole, Nina Simone, Sublime (banda) e Sting.
Cotton Club. Direção de Francis Ford Coppola e trilha sonora de John Barry. Neste filme, quase desconhecido de Coppola, o convidado especial faz as vezes de estrangeiro. John Barry, ao contrário das maiores referências do gênero, nasceu na Inglaterra, tendo sua contribuição quase que exclusivamente voltada a trilhas de cinema.
Mostra O Jazz no Cinema
10 a 20 de agosto, no Cine Humberto Mauro – Palácio das Artes
Mais informações pela site oficial

Em Belo Horizonte, curte bares discretos, livrarias e feriados prolongados e vazios. É Jornalista, amante de literatura, música e tecnologia. Também é editor da Revista Opperaa. Siga-o no Twitter ou no Facebook.
A Mondo BHZ é uma revista de crítica cultural direcionada ao público de Belo Horizonte. Aqui, voce encontra:
Aproveite para nos seguir no Twitter, acompanhar atualizaçoes pelo canal RSS ou enviar-nos email com sugestoes, dicas, críticas. Para anunciar, voce também pode utilizar nosso canal de contato.