
O Instituto Moreira Salles em Belo Horizonte estará realizando até o dia 30 de agosto a exposição Alécio de Andrade (1938-2003), em homenagem ao fotógrafo carioca.
A mostra, que já passou por Rio de Janeiro e Porto Alegre, traz 102 imagens que foram registradas pelo fotógrafo como trabalho particular ou sob encomenda para veículos como Manchete, Elle, Newsweek e a agência Magnum, da qual ele foi membro associado entre 1970 e 1976.
De acordo com o coordenador de Fotografia do Instituto Moreira Salles, Sérgio Burgi, Alécio foi o fotógrafo brasileiro que alcançou maior notoriedade no exterior, sendo um pioneiro do fotojornalismo brasileiro e internacional. "Sua fácil aceitação no mercado estrangeiro deveu-se principalmente ao fato de seu trabalho ser de qualidade. Apesar de ser pouco conhecido no país, ele é um nome de grande significado em outros países".
Advogado, poeta e pianista, Alécio sempre foi um profissional eclético. Burgi conta que, ao longo da sua trajetória, Alécio desenvolveu uma técnica bastante apurada. Suas marcas registradas eram a relação com o quadro escuro, o uso da câmera 35 mm; o negativo inteiro, fazendo registros sem corte; e o uso da lente normal. "A simplicidade dos equipamentos fez com que seu trabalho ficasse elaborado e demonstrasse uma grande sensibilidade. Ele era um humanista e suas fotos mostravam isso", explica.
O trabalho do brasileiro sempre foi muito influenciado por Henri Cartier-Bresson, fotógrafo francês conhecido pela frase "Para fazer boas fotografias basta alinhar a cabeça, o olho e o coração". E segundo o coordenador de Fotografia do Instituto Moreira Salles, Alécio sempre transitava entre o formal e o pessoal, não raras vezes fotografando temas pelos quais era apaixonado. "Separamos as fotos para essa exposição tendo como base os três principais temas de sua obra: Crianças (parte da exposição acompanhada por um poema de Carlos Drummond de Andrade); Paris (essa parte é acompanhada por carta de Julio Cortázar); e Retratos (acompanhada por cartões postais de Henri Cartier-Bresson). Ele retratou muitos rostos de personalidades brasileiras e mundiais, mas também amava às crianças e a cidade-luz".
Atualmente no Rio de Janeiro está em exposição um conjunto de 248 fotos de acervo francês do fotógrafo, que ele tirou dentro do Louvre. Burgi conta que ele passou 40 anos tirando fotos dentro do Museu e que sempre foi muito interessado em artes plásticas e pintura. Futuramente essa exposição deve vir também a Belo Horizonte.
Exposição Alécio de Andrade (1938-2003)
Instituto Moreira Salles: Avenida Afonso Pena, 737, centro, Belo Horizonte.
Visitação de terça a sexta-feira, das 13h às 19h, sábado e domingo, das 13h às 18h.
Entrada Franca.
Saiba mais no site oficial do evento.

Priscila Armani é jornalista e apaixonada por cultura. Ela escreve sobre cinema, artes plásticas e teatro. Fez o curso de Linguagem e Crítica Cinematográfica com Pablo Villaça, criador do Cinema em Cena. Contacte-a pelo seu email priscila.armani@mondobhz.com.br ou siga-a no Twitter.
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