
Buscando inspirações em música do bipolar cancioneiro folk norte-americano Daniel Johnston, os mineiros do The Dead Lovers Twisted Heart decidiram se nomear com título homônimo de música do artista gringo.
E é justamente dentro da vasta seara de possibilidades musicais yankee, que contemplam das referências mais regionalistas do folk rock de cordas abusivas à cena eletrônica atual de NY, que o grupo pauta-se para construir sonoridade de múltiplas cores e gostos, recentemente aglutinada no lançamento de DLTH, o primeiro disco.
Compõem a banda Ivan (voz e guitarra base), Velvs (baixo e piano), Guto (guitarra solo), e Pati (bateria). Eles, que já circulam há tempo relativo em casas e festivais de BH e de fora, suscitaram em torno de si comentários e grande expectativa pelo lançamento do primeiro trabalho.
E como esperado, DLTH é o tiro certeiro ao universo proposto pela banda, com tantas referências quando possíveis. É talvez aí, na auto-afirmação da música yankee, que o Dead Lovers Twisted Heart abre espaço para percepções dúbias.
O paradoxo é simples: se você procura um legítimo representante local das vertentes do rock americano, eis a banda. Mas se o quesito “pitada de regionalismo” entra como exigência, corra. Aqui não há espaço para leituras que não sejam superlativas em relação à inspiração declarada. O Dead Lovers é assim até no aspecto lírico, com letras 100% em inglês.
DLTH inicia com Dead Lover, canção estrutura sob samplers, eletronicidades e fugacidade cool. Backwards, em seguida, é um post-punk tonal, óbvio e de estrutura objetiva. Ela é seguida por três outras canções semelhantes que desembocam em Shake You Hips!, faixa dance rock com o único ponto alto em linha de guitarra swingada.
Mais à frente, Mrs Magill inicia passagem de canções com fortes elementos folk, encarnado sobretudo em violão e vocais. Em seguida, e mergulhando ainda mais nesta praia, Line 5102 é uma brincadeira crônica com linha de ônibus de BH. Ao final, Pretenders é uma balada emergente, típica de encerramento melancólico.
Com produção cuidadosa, DLTH se constrói como um debut legítimo, de uma sonoridade feita para exportação, e, como em outras ocasiões, pressupõe dois caminhos possíveis: uma longa trilha rumo ao norte, ou o engessamento num cenário de potencialidades divergentes.

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