
A cena mineira terá oportunidade de conferir, em passagem pelo Conexão Vivo e bar A Obra, o músico Jair Naves.
Alçando seu primeiro voo solo, Jair Naves, vocalista do extinto Ludovic, acaba de lançar Araguari. EP sucinto de fugacidade impar e autoria inquestionável.
A bem da verdade, comparações entre o trabalho atual do músico e suas atividades junto à banda paulistana poderiam até soar necessárias, mas somente após a primeira audição. Aqui, tudo soa próprio, único e digno de nota nos mínimos detalhes.
Araguari é o nome que dá título ao EP, mas também da cidade em que o músico passou parte de sua infância. Localizada no Triângulo Mineiro (há cerca de 600km da capital) é fonte de uma possível contextualização lírica pautada em saudosismos e memórias.
Araguari I (Meus Amores Inconfessos) abre o disco. A Avemaria ao fundo contextualiza uma atmosfera onírica sob a qual se constrói, aos primeiros momentos, trecho sonoro do filme O Caso dos Irmãos Naves, pelicula de Luis Sérgio Person que narra episódio de injustiça sofrida por familiares do músico na cidade-título, durante o Estado Novo. Uma melodia de guitarra introduz os vocais de Jair Naves que ao ditar “As Lembranças que guardo de Araguari, resumem-se ao dia em que eu fugi”, traçam uma incrível hipérbole conceitual, sobrepondo a sonoridade das violas mineiras à modernidade do folk-rock. Ao longo da faixa, teclados e backin vocals colaboram com a construção de uma indefinição genérica, em que a parte musical abre-se para o lirismo da nostalgia e métricas precisas.
Em Silenciosa, Jair Naves abre-se para dueto vocal com Júlia Frate, construindo uma canção presumidamente romântica, não em seu sentido belo, mas sim na tangente triste. Uma linha simples de violão é quase única e dispensa complementos.
De Branquidão Hospitalar inicia-se com baixo, teclado e levada puramente oitentista, soando quase New Order em sua fase embrionária. De repente, Naves surge com letra febril e, em sua poética, inteiramente coerente ao gênero, algo quase raro para bricolagens comuns a outras bandas brasileiras que de certa forma já aventuraram-se pela geração perdida inglesa.
Araguari II (Meus Dias de Vândalo) fecha o disco com retomada de Júlia Frate em inserções vocais. Há aqui um encerramento crônico também, em que a figura de Araguari é retomada na forma de ponto incial. É talvez a faixa mais tensa em que o vocalista explora algumas variações vocais, imprimindo de vez seu estilo peculiar, de expressão emergencial e convidativa.
Shows de Jair Naves
Conexão Vivo, 20/04, às 19h no Parque municipal e bar A Obra, 21/04 às 22h
Conheça mais do som pelo site oficial

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