
O Teatro Oi Futuro Klauss Vianna recebe, no próximo dia 14, o show de pré-lançamento do primeiro álbum de estúdio da banda mineira Black Sonora.
Nos palcos desde 2002, o Black Sonora é uma referência de produção apurada e estilo autoral. Escutá-los é como transitar pelas esquinas do underground negro de todo o mundo. A partir da crônica local, do cotidiano da capital mineira e do diálogo com outras linguagens (musicais e de fala), a banda consegue, ao mesmo tempo, enriquecer-se e jogar luz sobre um processo criativo de múltiplas faces.
Sambar Pra Quê, por exemplo, apresenta registro de instrumentos tipicamente nacionais, mas sob a base de uma linha soul sessentista e uma guitarra jazzística. Aqui os vocais têm raiz – e timbres – que transitam pelo aspecto mais embrionário do reggae. Donde Está Yemayá persegue a mesma trilha, com uma guitarra swingada e riffs funk, enquanto a cozinha, estruturada de forma profícua, subsidiam um vocal espanhol de urgência natural. Já em outros momentos, como na faixa Que Beleza Malaquito 16 Dirty Dub, a bricolagem de samplers e temas comuns à black music tomam de assalto o primeiro plano, nesta ocasião numa semi-homenagem a Tim Maia.
O álbum, que será lançado no segundo semestre de 2010, tem produção de Chico Neves. Este, aliás, é um dos principais nomes da produção nacional no que diz respeito a samplers. Companheiro de Liminha entre 80 e 86, posteriormente trabalhou com nomes como O Rappa, Lenine, Skank, Paralamas do Sucesso, Los Hermanos, Arnaldo Antunes e Lô Borges.
No show de quarta-feira participam os MCs Gurila Mangani e Simpson e o cantor cubano René Ferrer. Como o amigo Cubanito, vocal da Black Sonora, René representa a nova geração de músicos de Cuba. René leva consigo a responsabilidade de pertencer a família do aclamado músico Ibrahim Ferrer (Buena Vista Social Club). Ele toca ainda em mais 3 projetos: Noche Cubana, Sonho de Salsa e na Utópica Marcenaria. Em 2003, o músico lançou o primeiro disco, El Loco Soy Yono, pela gravadora Sambatá e distribuído pela Trama. Em 2006 gravou no Rio de Janeiro o disco Obatalá No Quiere Guerra, que leva a assinatura da gravadora Cambucá.
Black Sonora no Oi Novo Som
14/04, às 21h
Oi Futuro – Teatro Klauss Vianna (Av. Afonso Pena, 4001 – Mangabeiras)
Conheça mais do trabalho do Black Sonora em seu Myspace

Em Belo Horizonte, curte bares discretos, livrarias e feriados prolongados e vazios. É Jornalista, amante de literatura, música e tecnologia. Também é editor da Revista Opperaa. Siga-o no Twitter ou no Facebook.
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