
Mais conhecido pelo aclamado drama Contra A Parede (2004), vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim, e também pelo drama Do Outro Lado (2007), que faturou o prêmio de Melhor Roteiro no Festival de Cannes, Fatih Akin, diretor turco-alemão, muda a direção e envereda pela comédia em seu mais recente filme, Soul Kitchen (2009), que estreia nesta semana em BH.
O filme gira em torno do personagem Zinos Kazantsakis (Adam Bousdoukos), proprietário do simples, mas charmoso, restaurante Soul Kitchen, localizado em Hamburgo.
Além de gerenciar o estabelecimento, que passa por dificuldades financeiras, Zinos tem de lidar com a namorada, que vai viver em Xangai; com um novo cozinheiro, que espanta sua tradicional clientela; com o irmão viciado em jogos, recém-saído da prisão em regime semiaberto; com um antigo amigo de infância inescrupuloso, que tenta de todas as formas comprar o restaurante; e, para completar, com uma hérnia de disco, que dificulta ainda mais suas tarefas cotidianas.
Todos esses elementos compõem a fórmula perfeita para uma história cheia de situações inusitadas com inúmeros acontecimentos e reviravoltas, que é o que realmente se vê em Soul Kitchen.
O filme, no entanto, não é recomendado a quem espera por uma história profunda com personagens bem construídos e um humor delicado.
Soul Kitchen é raso e talvez seja a menor das obras de Fatih Akin. O inusitado perde em espontaneidade, a fórmula dos personagens induz ao clichê e as constantes mudanças de situação contribuem à falta de foco e à consequente superficialidade do filme. Não bastasse isso, em vários momentos o humor sutil é substituído pelo escrachado e a complexidade da narrativa recebe saídas fáceis e pouco naturais.
Tecnicamente, não há muito que se destacar de um filme em que a fotografia, a trilha sonora – mesmo com uma forte referência ao soul – e a montagem são construídas apenas como elementos componentes, e não significantes, de uma história a ser contada. Nesse aspecto, o filme cumpre sua função, com uma pequena ressalva à montagem, que acaba gerando uma sensação artificial devido aos frequentes desenlaces narrativos.
Apesar de tudo isso, Soul Kitchen é um filme que tem lugar e público, tanto que faturou o Prêmio do Júri no Festival de Veneza, e certamente vai agradar aqueles a procura de diversão leve e fácil. É uma boa alternativa para quem quer dar um tempo de tramas densas e mais profundas e que não espera o mesmo Fatih Akin de Contra A Parede.
Soul Kitchen
Dirigido por Fatih Akin (1h 39 min)
Estreia sexta-feira, 19 de março, em todo o país

Anda perdido pelos caminhos da ficção, tem ideias subversivas, ânimo incerto e um relacionamento aberto com o Cinema, as Letras e a Comunicação. Gosta de vozes femininas e imagens escondidas. Erra com as palavras e não raramente tropeça numa verdade. É jornalista e mestrando em Teoria da Literatura.
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