
O Café com Letras recebe, no próximo final de semana, o músico Antonio Loureiro para lançamento de seu primeiro trabalho autoral.
Sem título, e com um projeto editorial ousado (que contempla várias capas dentro de um único álbum), o disco sinteriza bem o profícuo senso e apuro estético do músico. Com apenas 23 anos, ele compõe, é multi-instrumentista, acompanha Kristoff Silva como vibrafonista e baterista e já conquistou o prêmio Pixinguinha 2009 da Funarte (junto ao grupo Ramo) e o prêmio Jovem Instrumentista do BDMG, além de outros.
Escutar seu primeiro trabalho é uma experiência no mínimo dúbia, não no sentido de juízo de valor, mas de uma leitura que contempla referências tão diversas quanto possíveis. Ao final, fica o agradável questionamento: Loureiro resgata temas regionalistas e alça-os a contextos globais ou apropria-se da música universal para reler clássicos de escolas como Clube da Esquina, por exemplo?
Se pudéssemos referenciar alguns elementos, valeria ressaltar música regionalista mineira (?), jazz, samba, música eletrônica, world music e pop.
Voo a Dois, por exemplo, é uma faixa de urgências percussivas com belos arranjos de piano e um lirismo raro e único na voz, tendo no conjunto uma possível referência mais jazzística. Já Câmara Escura, que conta com letra de Makely Ka e Sérgio Perere nos vocais, resgata uma mineiridade de melodias marcantes, perpassado pelo detalhismo de Mateus Bahiense com congas e sinos transformando a música num dos momentos mais fortes do trabalho.
Fabiana Cozza aparece vigorosa nos vocais de Coreira, que conta com dinâmica envolvente. A Partir demonstra a faceta mais experimental, de harmonizações e cadências tão versáteis quanto inclassificáveis. Roda Gigante também caminha por estes caminhos, mas apostando mais numa métrica de letra.
ID resgata Câmara Escura na tangente com artistas mineiros, sobretudo do Clube da Esquina. Um Início Meio Fim pode ser composta sob uma base orgânica, mas remete inteiramente à raiz britânica, que desemboca em Kid A's e experimentações eletrônicas menos convencionais. Quinem Quiabo apropria-se do choro e constrói-se de forma quase cinematográfica e visual.
Para finalizar, Volupedes é a faceta virtuose com cordas e piano em proeminência, incrivelmente lembrando Tortoise e outras bandas de post-rock. Gato de Armazém é um passeio pelo "quase-swing" e “quase-soul” dançantes.
Confira o primeiro disco, disponível na íntegra, no Myspace do artista. O lançamento do CD acontece no Café Com Letras no dia 27/02, às 17h.

Em Belo Horizonte, curte bares discretos, livrarias e feriados prolongados e vazios. É Jornalista, amante de literatura, música e tecnologia. Também é editor da Revista Opperaa. Siga-o no Twitter ou no Facebook.
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