Localizado na Av. do Contorno, em frente ao Hospital Militar, está um estabelecimento que, não sei por que cargas d’água, ainda não tinha escrito nada sobre. Há tempos que ele vem sendo uma das minhas principais opções quando se trata de comer bem.
Certa vez fui à Patagônia. Quando voltei, faminto e saudoso pelas coisas da minha terra, meu pai foi me buscar. A fim de matar as saudades e botar o papo em dia, convidou-me para uma ou sete cervejas, num local de minha escolha. Louco como estava por um pouco de feijão cozido e aquele gosto de comida de casa, não pestanejei. Fomos, quase que sem curvas para o Chopp da Fábrica, vulgo ‘Choppinho, como meu pai carinhosamente o apelidou. Lembro-me perfeitamente da minha escolha: Mexidão, acompanhado por uma guarnição de feijão cozido, para ‘molhar’ e dar um tempero extra de alho. No instante da primeira garfada soube que a escolha tinha sido perfeita. Aquela mistura de arroz, carne cozida desfiada, ovo, couve, pimenta e – para os que gostam – lingüiça, ensopadas com o caldo do feijão mineiro provocou uma sensação próxima ao orgasmo. Naquela hora soube que estava em casa novamente. Sim, um prato perfeito que, por menos de R$15, sacia de forma satisfatória a duas pessoas adultas.
Dois pormenores: em minha opinião, o Chopp da Fábrica só é excelente se for para almoçar e jantar. Mesmo na madrugada. Aquele esquema tradicional de cervejinha com tira-gosto não consta. Apesar das várias opções no cardápio, os tira-gostos não são muito apetecedores e os preços são salgados. O lance lá é comida pra encher a barriga. Outra coisa é que, apesar do nome, a casa não serve chopp, somente cerveja.
Falando nisso, lá todas as cervejas possuem o mesmo preço: R$3,60. Desde a fraca Skol até a estupenda Serra Malte, e seus 5.5 de teor. Pra finalizar, vale dizer que aquele velho problema de lotação do local, onde os mais atrasados eram obrigados a esperar em fila, inclusive na madrugada, está perto de acabar. O estabelecimento passou por uma grande reforma, na qual foi feito mais um andar para abrigar os vários fregueses.

Hipérbolo e comedido ao mesmo tempo. Jornalista por formação e boêmio por paixão, é apreciador da gastronomia, sendo ela baixa ou alta. O importante é comer bem. Ainda por cima, acha que é escritor e se mete a entender sobre vários outros assuntos. Também é autor do blog Um que faltava. Siga-o no Twitter.
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