
Foi na casa de Francis Supernova que a própria disse que a vida era um provérbio aliciado de intensidade. Embora não estivesse na fase de desfilosofar as coisas, admite que seria uma frase engenhosa, e que mais tarde mandaria alguma reflexão por e-mail.
Francis sempre dizia que nossas vidas deveriam ser marcadas por catástrofes rodrigueanas: “meu destino é pecar”, citava Rodrigues. Antes pecar do que não ter destino – dizia Francis
Francis chamou-me para o café da manhã. Ela pronunciava gemidos e gestos obscenos com a língua. Fazia uma pequena oração com os seios, que consistia em mexê-los de um lado a outro antes de começar a comer.
Quem sou eu para julgar alguém - pensei. Só um idiota julgaria as atitudes de Francis antes de absorvê-la por sua beleza. E eu sempre preguei que a discussão sobre ética comportamental era a única virtude que os idiotas possuíam. E o que isso tinha a ver com a refeição do café da manhã? Nada. Escrever é tudo farinha do mesmo saco. E é a farinha que dá a liga aos alimentos dos pobres.
Descobri meu lado concreto: passei a arremessar suco de beterraba nas paredes e sovar a manga nos seios de Francis, imaginando meus dentes cravados em seu decote. Achei que fosse fazer muita bagunça. Ela sabia que eu estava pensando em alguma orgia.
Então antes que ela perguntasse o que se passava na minha mente insana, comecei a arremessar as frutas na parede. E pedi a ela que se esfregasse o que ela fez sem hesitação. Senti-me um Pollock naturalista. O corpo de Francis marcava a parede de várias formas.
Francis era muito conhecida por ser contraditória. Era por vezes delicada, e por outras várias, uma devassa. Ela tinha mania de cuspir nos olhos das suas visitas. Por isso era sabido visitá-la de óculos. O que não a impedia de passar meleca no pão de quem a visitava.
Francis sentou no meu colo, disse algumas sacanagens ao pé do ouvido e começou a se bolinar. E aquilo acabou em lágrimas de prazer, implores e súplicas de fim de mundo. Eu sentia uma larva quente saindo dos lábios dela, daqueles lábios Francianos, a textura linfática da perversão. Ao fechar das pernas ela estava lagrimada. Suas veias pulsantes, no meio de um coração sem calcinha.
Francis era intransigente quando o assunto era sexo. Eu comia pão com manteiga enquanto Francis delirava cheia de beterraba e manga pelo corpo. Ela xingava palavrões e dizia que me amava porque eu era insensível e tinha o charme de um artista fracassado. Eu pedi a ela que repetisse aquilo, e gozamos sem parar.

Mais conhecido como Caiocito. Está quase completando alguma coisa, sendo este quase, mínimo. É especialista na retórica sofista e inventiva. E também dá opiniões estéticas sobre comportamento. Siga-o no twitter.
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