
Um filme sensível, com alguns clichês, mas que vale a pena o ingresso. Essa é uma boa descrição para "Algo que você precisa saber", primeira obra da diretora belga Cécile Telerman a alcançar relevância.
Antes desse filme, ela havia apenas dirigido uma série de tv australiana, além de ter feito um trabalho como atriz. Formada em Direito, descobriu há pouco tempo a vocação para o cinema. E sorte de principiante ou não, seu primeiro longa tem um enredo cativante e que consegue surpreender o mais precavido dos espectadores.
Claro que, a medida que a história vai se desenvolvendo, vamos juntando as peças e adivinhando como se dará a história. Mas até fazermos esse caminho, nos divertimos um bocado. Tudo começa com o empresário Henry Celliers (Patrick Chesnais) e sua esposa Mady (Charlotte Rampling) conversando sobre os três filhos: Alice (Mathilde Seigner), Antoine (Pascal Elbé) e Annabelle (Sophie Cattani).
Mady é uma mãe que se preocupa com as aparências e o dinheiro, sendo que, para ela, o comportamento de Alice, pintora desajustada "ovelha negra" da família, é uma decepção. Alice já fez sucessivos abortos e vive se metendo em confusão. Annabelle é uma enfermeira meiga, que cuida dos irmãos como pode e lê cartas de tarô nas horas vagas. Já Antoine é um homem de negócios que sempre tentou agradar o pai, tendo escolhido uma carreira que não lhe agrada. Talvez por isso sua empresa tenha falido. E ele está com medo de contar à família sobre mais um fracasso.
Jacques de Parentis (Olivier Marchal) é delegado e também se considera um fracassado. Casado há 20 anos, acredita ser um peso para a mulher, jovem, bonita e que lhe confessa estar grávida e resolvida a ter a criança. A decisão dela mexe com ele, que nunca quis ter filhos. Ele conhece Alice na delegacia e a livra de um flagrante por porte de drogas. Posteriormente, acabam se reencontrando e tendo um caso. Esse romance irá levar os dois muito mais longe do que jamais imaginaram.
A história da família Celliers e do policial começam sendo paralelas, mas se entrecruzam de um jeito bastante surpreendente.
Para uma iniciante, Telerman soube amarrar muito bem a história e o filme segue uma linearidade: desde seu início, quando é sintonizado um programa de rádio, até o desfecho, que vai agradar ao público.
Destaque para a fotografia de Robert Alazraki, profissional experiente, que já trabalhou em mais de 70 produções, desde 1973. Os ambientes abertos e iluminados predominam, conjuntamente com o uso inteligente das cores: sobrias para os pais e nos filhos apenas quando estes estão vivenciando problemas. Ao final, tudo está colorido, combinando com o clima do encerramento.
Algo que você precisa saber
Dirigido por Cécile Telerman (1h40min)
Saiba onde está em cartaz

Priscila Armani é jornalista e apaixonada por cultura. Ela escreve sobre cinema, artes plásticas e teatro. Fez o curso de Linguagem e Crítica Cinematográfica com Pablo Villaça, criador do Cinema em Cena. Contacte-a pelo seu email priscila.armani@mondobhz.com.br ou siga-a no Twitter.
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