
Premiado em Veneza, Good Bye... Solo é um filme bonito, e podia escrever no diminutivo: bonitinho – assim mesmo, sem nenhuma ironia ou intenção pejorativa. Apesar do som de rap, rock, country music e muita fumaça dentro do táxi.
O texto é digno - quando o texto é bom me vem essa palavra. Mas também é lento, e pode ser propositalmente, para revelar as expressões de Sy Savane, que faz o papel de Solo. E Red West, no papel de William.
Solo é um jovem taxista em busca de ascensão social. William é um senhor que está numa decadência célere. Desse encontro se inicia uma genuína amizade, mostrando-nos dois seres humanos de vidas completamente opostas, se encontrando e suscitando uma leal parceria que vai mudar o ponto de vista dos protagonistas.
William é um forasteiro da vida. Um idoso que quer esquecer seu passado e decide, com isso, jogar fora eu próprio futuro. Ele tem uma cadernetinha, onde anota pequenas observações sobre Solo, e o mundo que rodeia seu colega. Desiludido e melancólico, Will vê em Solo talvez o último suspiro de esperança.
No enredo - e em sua atuação - é inevitável não lembrar de Will Smith em À Procura da Felicidade. É o que Solo deseja. Sonha em ser comissário de bordo e se esforça para passar nos exames. Ele concilia sua vida de taxista com os estudos. Quer dar uma boa educação à filha recém nascida. “Bonjour, ça va?”, brinca Solo com a filha. “Precisamos falar francês com ela, ela tem que crescer falando várias línguas”, ele comenta com a mãe do bebê.

Mais conhecido como Caiocito. Está quase completando alguma coisa, sendo este quase, mínimo. É especialista na retórica sofista e inventiva. E também dá opiniões estéticas sobre comportamento. Siga-o no twitter.
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