
O titulo desse filme incita diversas expectativas. Terror, medo, susto, alguma criança demoníaca, cabeças girando 360 graus, etc. Mas não percam tempo imaginando, digo-lhes que a obra de Lars Von Trier tem algo disso e muito mais. O diretor aborda o mal a partir de uma estética bela e surpreendente. Cenas em que ângulos ousados são utilizados, câmera lenta captando cada momento da expressão dos personagens, pontuado com um fundo musical palpitante.
O casal protagonista interpretado pelo americano Willem Dafoe e a francesa Charlotte Gainsbourg sofre com a morte do filho bebê, que se jogou pela janela enquanto os pais faziam um sexo muito evidenciado pela câmera de Von Trier. Inconformada, a mãe aceita ser tratada pelo próprio marido, que é terapeuta. Os dois então partem para uma cabana no meio de uma floresta chamada Éden, onde as bizarrices aumentam de nível consideravelmente.
É introduzido o assunto do feminicídio, derivado do genocídio, que é a crueldade seguida de assassinato praticada especificamente com mulheres através dos séculos. A personagem de Charlotte é pesquisadora do assunto, sendo que as conclusões a que chegou a levam a agir de forma psicótica, ferindo a si mesma e seu marido. Ela cria também situações assustadoras de descotrole, possivelmente atribuídas à natureza feminina. Não posso deixar de comentar que a atriz, que também é cantora, tem uma perturbadora semelhança física com a Fernanda Torres. As expressões demoníacas às vezes me faziam lembrar os chiliques de Vani no seriado Os Normais.
O enredo do filme certamente não está muito preso ao nexo e à coesão. É muito fácil perder o fio da meada ao se distrair um pouco. Porém, as cenas são fortes o suficiente para que o espectador não tenha motivos para se distrair. A fotografia é fantástica e ousada. O cenário é rico e bem trabalhado, talvez para compensar a cidade desenhada com giz em Dogville, mais um dos controversos sucessos de Lars Von Trier.

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